Filme: mãe! (mother!)

Cartazes_MãeSimplesmente o melhor filme que eu já assisti em quesito maestria. Depois do filme ‘As Horas’ (que é meu favorito por se tratar de um trama envolvendo Virginia Woolf e sua obra Mrs. Dollaway), posso garantir que ‘mãe!’ é excepcionalmente de arrasar.

O filme dividiu muito os críticos durante sua estreia no 74º Festival Internacional de Cinema de Veneza no dia 15 de setembro de 2017, talvez por sua forte poesia metafórica, fugindo totalmente das cinematografias hollywoodianas simplistas e padronizadas.

488fffda-eb07-43da-8bc4-94a78f4a5f2dEla (Jennifer Lawrence) representa a natureza: cuidadosa, delicada, preocupada em nutrir, alimentar, gerar. A casa representa o nosso planeta,  e a maneira como ela cuida de cada cômodo, cada detalhe demonstra a conexão Terra-Natureza. A ligação fica mais clara quando percebemos que ela pode sentir o coração da casa.

Já ele (Javier Bardem) faz o papel do Criador. Mora em uma casa com sua companheira, mas precisa de mais. Precisa de quem lhe dê atenção, lhe dê festas e ofertas, precisa que façam de sua casa um antro de desordem, misticismo e fanatismo. Adão é o primeiro a aparecer, depois sua promíscua esposa Eva e por fim seus filhos, no qual Caim mata Abel por puro ciúmes. O sangue de Abel fica na casa e resta à nossa bela dona-de-casa limpar. Mas o sangue não sai totalmente. O planeta então fica ‘manchado’ pelo ódio que o ser humano é capaz de ter. Outros começam a surgir e então vem o caos. 

motherposter_0Em meio a toda essa tempestade de humanos, a Natureza sofre pela destruição de seu lar, mas mantêm-se fiel ao seu marido. Ela dá a luz mas se nega entregar o bebê para que as pessoas o vejam. Aqui temos a alusão a Cristo, entregue pelo Senhor aos humanos que acabaram matando-o. 

De cenas fortíssimas a cenas leves, de falas amorosas a brigas raivosas, este filme retrata pela visão de alguns o nosso mundo. Desde sua criação até sua destruição. E pasme: o ciclo não para nunca! Pois Deus nunca está satisfeito…

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Rumo à proficiência em inglês – CPE

CPE-logo-newEm 2007, motivada pela equipe da Self Idiomas, decidi dedicar parte de meu tempo estudando para certificações da Cambridge Assessment. Formamos um grupo de teachers e passamos a estudar todas as sextas para o TKT (Teaching Knowledge Test). Em 2008 decidi por conta prestar o FCE (First Certificate in English) e consequentemente, em 2009, o CAE (Cambridge English: Advance). Se não fosse pela minha dificuldade em me autoavaliar nas redações, creio que na época teria enfretado o CPE (Certificate of Proficiency in English). Comprei os livros, os cds, baixei o pack de mock tests, mas ali na estante ficaram. Em 2010 passei por uma mudança drástica em minha carreira e em 2011 mudei de cidade. Os livros e todo seu conjunto vieram comigo para São Paulo. Em 2012 casei, engravidei e em 2013 era uma teacher, mãe e dona de casa. Conclusão: os livros foram parar em uma caixa debaixo da cama. Foi quando em 2017 meu marido carinhosamente perguntou se eu não ia jogar no lixo aquelas tralhas que só juntavam pó e pioravam a rinite familiar. Olhei bem para eles, mexi, remexi, coloquei o cd para tocar pela primeira vez e então decidi: não! Não iria jogá-los fora, eu iria estudá-los e então, prestaria o CPE e completaria minha sequência de certificados engavetados. 

Fiz um esquema de estudos de uma hora por dia, seis vezes por semana. Separei em unidades e objetivos e comprei um lindo caderno da Jolie para satisfazer a criança que mora em mim. No primeiro dia foi maravilhoso, no segundo dia precisei interromper duas vezes por conta das roupas que precisavam ser lavadas e estendidas, no terceiro dia cumpri apenas 45 minutos de estudos entre idas e vindas ao quarto de minha filha, no quarto dia apenas li um texto mas não fiz os exercícios porque eu não podia atrasar a janta, e no quinto dia em diante ficaram empilhados sobre a mesa, que de tempos em tempos eu mudava de lugar para tirar o pó. Resultado final: não houve resultado, muito menos um final.

Mas não queria desisitir. Precisava de um plano B. Passei a buscar escolas que pudessem me ajudar a manter uma rotina de estudos e me obrigasse a sair de casa. Foi quando dentre várias, escolhi pela Summit School, por conter um programa exclusivo para teachers. Agora o problema era outro: a distância, deixar minha filha tempo demais sem a mãe e dedicar ao menos três horas de estudos em casa além de frequentar as aulas. O reflexo foi imediato: três horas de trânsito só para ir e vir de um curso que durava exatamente a metade disso, uma filha que ao me ver com os livros em mãos já começava a resmungar que eu não tinha mais tempo para ela, e essas três horas de homework nunca fizeram parte do meu cronograma. E agora? Cada vez mais os exercícios se tornavam mais dificultosos e os conteúdos mais exigentes, tendo acertos ridículos. Cada sexta-feira era uma dor de cabeça porque engarrafamento com certeza não foi criação divina e cada vez que a Tibiko me via tentando abrir os livros para estudar, eu precisava brincar de escolhinha com ela, atrapalhando meu foco. Nem três meses haviam se passado e eu já estava vendo meu barco afundando (junto com meu dinheiro) em meio a um mar de desejos e frustrações. O que fazer então? Plano C? Eu não tinha um plano C. 

Foi então que em meio às minhas meditações tive a luz: permanecer em meu local de trabalho por uma hora após o expediente. Trabalho em uma escola, portanto, a biblioteca é um túmulo com acesso à Internet e thanks to iPhone, consegui baixar podcasts e e-books necessários para a complementação de estudos. Terças, quartas e quintas. Minha filha acredita que ainda estou trabalhando, então não reclama, meu marido não percebe a minha ausência e tenho a paz necessária para uma dedicação total e completa (sem louça, sem roupa, sem varrer). Divido os 60 minutos em três partes: 20 minutos de leitura de um clássico em inglês para construção de vocabulário e expressões (neste exato momento estou lendo The Turn of the Screw), 15 minutos de construção de frases com os léxicos do trecho lido, 15 minutos de podcast seguido de uma redação sobre o que foi falado (em inglês formal) e 5 minutos de estudo gramatical.  O curso acontece às sextas, portanto a lição de casa faço aos domingos de manhã quando minha filha está na casa da vó. Quando preciso ir ao Templo (dois domingos por mês), transfiro a lição de casa para a segunda durante meu almoço. Quanto ao trânsito, bem, eu o uso a meu favor: sou budista, portanto, a prática começa quando controlo minha impaciência e busco ouvir podcasts relacionados ao Sutra de Lótus. Quanto às brincadeiras de escolhinha, passaram a ser de massinha como uma forma de me dizer que ela está realmente brincando comigo e não tentando chamar a minha atenção a qualquer custo. E finalmente maridão está feliz: os livros já não estão mais lá!

É, 2018 promete. 😉

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Nichiren Shu x Nichiren Shoshu x SGI

Assim como eu, acredito que quando as pessoas buscam uma ‘verdade’, acabam ficando confusas com relação a que escola seguir, a qual templo frequentar e principalmente, para qual Gohonzon orar.

Vou contar um pouco da minha história, e assim, ajudar a quem possa interessar.

Conheci o budismo de Nichiren Daishonin através de uma amiga que me apresentou a Soka Gakkai (BSGI). Todo início é confuso, difícil e ao mesmo tempo incrível. Aprendi a recitar o Nam Myoho Renge Kyo através dos vídeos de Youtube (que são ótimos, por sinal) e praticava o daimoku olhando para a parede. As transformações em minha vida começaram desde então. Para melhor, muito melhor! Em menos de 20 dias, eu estava me convertendo e recebendo o meu primeiro Gohonzon.

4a9a243d17123576e75dc02bdd273d42Passei então a praticar o budismo como ele tem que ser: através da fé (acreditando nos ensinamentos de Nichiren Daishonin), através da prática (recitando o daimoku e o gongyo manhã, tarde, noite, e quando eu bem entendesse) e através dos estudos. Aí é que começaram os ‘problemas’.

COLETANEA_DOS_ESCRITOS_DE_NICHIREN_DAISH_1402090906BEstudar o budismo de Nichiren significa estudar seus goshos (cartas que ele escrevia a seus discípulos e seguidores no século XIII). E em seus goshos, ele cita muito o Sutra de Lótus, fazendo com que então a gente estude também o Sutra. A questão toda é que na BSGI eu sentia em cada reunião que se estudava as palavras de seu atual presidente (dr. Daisaku Ikeda). Ouvia e lia sobre sua história, seus poemas, suas músicas, seus livros e em meio a tudo isso, pequenos e até micro trechos dos goshos (e de alguns somente). Passei a pesquisar na Internet sobre estudos mais aprofundados dos goshos pela SGI. Nada. Só encontrava textos atacando a instituição e citando eventos horríveis envolvendo dr. Ikeda. Eu sou muito grata à Soka Gakkai, pois não teria dado meu pontapé inicial se não fosse pela energia de conversão do grupo.

sutra_img01Bom, pesquisa vai, pesquisa vem, comprei um livro com a tradução do Sutra em inglês mesmo. Passei a estudá-lo diariamente junto com os goshos em sua íntegra. Foi então que percebi que os ensinamentos, doutrina ou prática da Gakkai não estavam de acordo com o que eu estava aprendendo de Shakyamuni Buddha. O problema não é a mensagem, mas como ela é dada. É nesse momento que eu entendo quando alguns ex-membros dizem com raiva que você passa por uma lavagem cerebral na comunidade leiga budista (SGI). Não é bem assim que eu enxergo. O budismo está lá, seus preceitos e correta postura de um Bodhisattva estão, mas tudo com a assinatura de um homem, não de um Buda. Eles chegam a pendurar quadros com fotos dos presidentes da Associação ao lado do oratório, mas não há menção a qualquer imagem do Shakyamuni Buda ou do Nichiren Daishonin, o buda original. A impressão que dá é que se ora e se venera os fundadores da Gakkai do atual século, e não os verdadeiros Budas. Ser agradecido pelo kosen-rufu (propagação da correta Lei) que praticaram é uma coisa, pensar somente neles é totalmente outra. Há inclusive a inserção de seus nomes na oração silenciosa no Sutra que eles produzem. Outra situação que me incomodava muito é que toda e qualquer foto de Daisaku Ikeda são dos anos 90. Não há fotos atuais. Nem mesmo tirada em seu 90º aniversário. Às vezes tenho a impressão de que ele já está em outro plano, mas estão aguardando para anunciar em meados de maio e junho, para coincidir com a data e idade que Shakyamuni Buda faleceu. Mas essa teoria é somente minha.

Com base nesses conflitos de ‘budismo’ e ‘não-budismo’, passei a estudar por conta. Mas estudar sozinha significa ter incontáveis dúvidas, e portanto, eu precisava de alguém que houvesse estudado tanto o Sutra como os Goshos profundamente a fim de me ajudar. Foi então que encontrei os monges, sacerdotes e reverendos seguidores de Nichiren Daishonin, estudiosos e comprometidos com seus estudos e ensinamentos.

A Nichiren Shu foi a primeira escola budista depois da morte do Buda Nichiren Daishonin, ou seja, existe desde o século XIII. Somente tempos depois, por conta de conflitos, é que a Nichiren Shoshu surgiu. E foi de dentro da Nichiren Shoshu que a Soka Gakkai emergiu sete séculos depois, na década de 90, quando seus adeptos foram convidados a se retirar sob a acusação de corrupção, formando assim o maior grupo de leigos budistas. Não há monges, sacerdotes e nem templos na SGI, apenas pessoas que leêm as palavras de Daisaku Ikeda todo santo dia.

nichirenO que as três tem em comum: são seguidoras do Sutra de Lótus, leêm diariamente os capítulos 2 e 16, e recitam o Nam Myoho Renge Kyo (que a Nichiren Shu recita como NamU). Cada uma tem seu mandala Gohonzon e o defendem como sendo o legítimo (mas na realidade ele inscreveu mais de 150 gohonzons diferentes, já que na época ele se preocupou em propagar o budismo para as pessoas mais simples, coisa que não era comum na época. Como fazer um santuário com imagens era muito caro, Daishonin então disse que recitar o daimoku olhando para os escritos do Gohonzon teria o mesmo poder, e desde então seguimos sua orientação).

buda_6A diferença está na visão sobre o Buda Nichiren Daishonin. Na Nichiren Shu, ele é um Buda, mas Shakyamuni é o Buda Supremo. Na Nichiren Shoshu e, claro, na Gakkai, Shakyamuni é somente um Buda histórico, tendo Nichiren Daishonin como o Buda Verdadeiro, por ter recitado e dado sua vida pela propagação do Sutra de Lótus, dentre outras diferenças (na Shu pode haver imagens, votos a serem jurados, nas outras duas não, e assim por diante).

Depois de tudo isso, qual seguir? A que seu coração mandar. Não posso defender uma como sendo a mais correta que outra, até porque Shakyamuni Buddha disse que ele teria muitos seguidores, vários pensamentos, diferentes visões, porém o mesmo objetivo: a compaixão. Ser bom para si e principalmente para os outros é a lei máximo do budismo.

Fiz a minha escolha e me retirei da BSGI. Quando decidi por me converter ao budismo de Nichiren no Templo, avisei tanto as minhas amigas quanto aos dirigentes da sede que frequentava, e o respeito foi mútuo. Nada como descrito em alguns blogs na Internet. Hoje me sinto completa, corretamente instruída e minha prática mais assídua do que nunca.

Obs: existem outras, muitas outras, escolas budistas como a Zen e a Tibetana que são completamente diferentes da Nichiren Daishonin.

Gassho. _/\_

 

 

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Será que meu filho tem transtorno do comportamento opositor?

Gritaria, birras, choros excessivos, descontrole emocional, desobediência constante e agressivos. Se por um instante pareceu que estava falando de seu filho, pode ser que ele sofra de Transtorno de Comportamento Opositor (TCO), ou não. Isso mesmo, pode ser que VOCÊ não esteja colocando os pontos claros e as rédeas curtas o suficiente para a criança.

E como saber a diferença? 

Talvez há seis meses atrás eu não pudesse ajudar com a resposta, mas hoje, através de erros e acertos, posso afirmar que o primeiro passo é buscar ajuda profissional. 

Tenho uma filha de 5 anos, nascida prematuramente com 32 semanas. Passou 23 dias em uma encubadora da UTI neo-natal recebendo leite materno direto do peito a cada três horas quando já estava com 10 dias de vida. Ou seja, ela não teve calor materno imediato. Ela não teve contato de proteção antes dos 10 primeiros dias de vida. Ela gritava, e ninguém socorria. Ela chorava e ninguém ninava. Esses episódios nos fez pensar como pais que a nossa filha sofria de rejeição e insegurança em seu subconsciente por conta desses dias solitários. Na escola e em casa a Bruna era um terror: batia em quem a contrariasse, chorava por tudo e qualquer motivo, não aceitava que a comandassem e selecionava com quem ela iria socializar, excluindo os demais e era extremamente egoísta. Buscamos um psicólogo, um neurologista e um psicopedagogo. A equipe chegou a uma mesma conclusão: ela não tinha nada. 

Para meu desespero (e dos demais, que eu sei), Bruna não tinha um problema palpável, nem físico nem psicológico. O que ela tinha era o que chamamos de ‘Síndrome do Imperador’: crianças mimadas ao extremo, colocadas em um patamar muito aquém da social e moralmente aceitável. De forma pragmática, ela havia sido condicionada (ou nasceu como tal) a ser a mandante das regras. E aquele que a desrespeitasse, sofreria com seus gritos e choros ensurdecedores. Confesso que muitas vezes pensei em pegar meu passaporte e simplesmente sumir pelo mundo.

Foi quando, em uma das minhas visitas ao Lelivros.love (sou amante da leitura e baixo tudo que posso para ler em qualquer segundo livre, pelo celular mesmo), baixei sem muito interesse o ‘Crianças Francesas não Fazem Manha’. Pensei comigo: mais um livro que tenta nos dizer o que fazer por uma escritora que está longe de ser uma mãe, professora ou babá, logo, escreve o que não sabe. Mas estava muito enganada: Pamela Druckerman é uma jornalista americana, casada com um britânico, mãe de três filhos morando na França. E ela, assim como eu, penou muito na criação de sua primogênita e de seus gêmeos. Mas vamos ao que interessa: as dicas de como tratar e educar nossas crianças imperadoras!

1ª regra de ouro: chorar não mata! – se a criança chora por tudo, então coloque na cabeça quem manda (VOCÊ!) e diga o comando, de forma carinhosa, delicada, mas firme. Por exemplo: a Bruna tinha um grave problema com  palavra NÃO. Ela dizia: mamãe, posso assistir TV? Eu dizia: Não filha, vamos dormir agora! – era o suficiente para começar o espetáculo de gritaria e choradeira. Como forma de acalmá-la, ela assistia um episódio do seu desenho favorito. TOTALMENTE ERRADO! Depois de ler o capítulo sobre o choro, a Bruna naquela mesma noite começou a chorar porque ela não queria dormir. Disse calmamente: é hora de dormir! A coloquei no quarto e a deixei chorando. Foram 30 minutos de escândalo, até que ela acalmou e eu disse: filha, não adianta chorar, a mamãe precisa que você descanse. É bom para você e para mim. Ela chorou mais um pouco e dormiu soluçando. No dia seguinte chorou por 10 minutos e viu que não adiantaria continuar. No terceiro dia, ela me deu um beijo de boa noite e foi sozinha para cama. Hoje apenas digo: tuto time! (hora de dormir misturando inglês e espanhol).

2ª regra de ouro: crianças não escolhem nada! – como uma boa mãe pós-graduada de classe média do século XXI, eu acreditava que a autonomia deveria ser implementada desde bebê através das escolhas. Que roupa você quer por hoje? O que você quer comer? O que vamos assistir agora na televisão? Você quer um doce ou um sorvete? Parece óbvio, mas muitos, MUITOS pais dão a liberdade de escolha para seus pequenos filhos, tornando-os extremamente autoritários. Eu tinha esse problema com roupas. A Bruna desde muito pequena aprendeu que poderia escolher o que vestir, em qualquer ocasião. E essa autonomia tornou-se um pesadelo diário em nossas vidas. Ela não só escolhia as mesmas roupas surradas, como se negava a vestir qualquer coisa que déssemos por conta de um evento ou atividade especial, até mesmo o uniforme da escola. Houve uma vez que chegamos após o parabéns em um aniversário só porque a meia incomodava, a saia não era da cor certa, a blusinha apertava, o perfume não era aquele. E claro, todo esse forféu com muito grito e choro acompanhando. O basta aconteceu de forma drástica: tirei todas as roupas do alcance da Bruna e coloquei em uma caixa plástica. Ela só usaria o que eu desse para ela. Chorou? Muito. Gritou? Demais. Fez escândalo? Por quase uma semana. E hoje? Ainda nos dá um pouquinho de trabalho, mas apenas conversamos e ela compreende dentro de alguns minutos que não é o que ela quer, e sim, nós. Em casa, no entanto, ela tem a liberdade de usar as roupas surradas que ela tanto ama. A gente limita, mas também respeitamos a sua autonomia dentro de um quadrado.

3ª regra de ouro: ser firme não traumatiza! – quantas e quantas vezes não demos bronca e depois morremos de remorso por horas a fio? Estamos errados! Dar bronca é ato de amor, ser firme é ato de carinho e olhar como se fosse matar é ato de segurança. Não podemos confundir nossos filhos com nossos clientes. Filhos criamos para a vida, clientes mimamos. Aquele olhar fixo na hora do jantar quando ele apronta alguma coisa, nos dá a seriedade necessária para que ele cresça confiante. Afinal, somos espelhos. E o mais importante: devemos acreditar em nossa seriedade. De nada adianta dar um comando, tentar ser mais rígido ou colocar limites se sua voz e seu estado indica totalmente o oposto. Lembro bem quando tentava fazer com que a Bruna não comesse doces ou guloseimas entre as refeições. Era em vão. Eu proibia e ela comia mesmo que escondida. Até que um dia incorporei a mãe brava que ameça e cumpre; e disse uma única vez (sem gritar): você não pode comer doces antes do jantar. Se você comer, perderá o direito de assistir televisão por uma semana. Ela comeu o doce. Eu retirei a TV do quarto. Ela chorou, gritou, esperneou e entendeu: mamãe falou, tá falado! Hoje ela pergunta se pode ou não comer determinados doces, fazer algumas coisas ou brincar com certos itens. Quando digo que não ela ainda tenta insistir, mas desiste a partir do terceiro ‘não’ com o meu olhar fixo em seus olhos. 

4ª regra de ouro: os pais têm vida! – sim!!! temos vida! Quando a criança nasce, é da nossa cultura deixar de existir para que o filho tenha tudo do bom e do melhor. Pois bem, isso eu posso garantir que nunca fiz. Desde o dia que a Bruninha nasceu, eu sempre disse ao meu marido que não deixaria de fazer determinadas atividades porque tenho vida, uma vida aliás muito agitada. A dificuldade verdadeira surgiu quando um dia quisemos sair juntos à noite para curtir uma balada enquanto ela ficava com a vovó. Chorou por mais de duas horas enquanto tentávamos de todas as formas explicar que papai e mamãe precisavam sair de vez em quando. Foi difícil mas conseguimos, e desde então, avisamos a Bruna um dia antes que ela ficará com a vó para que os pais saiam. Seja cinema, restaurante, um parque, tomar sorvete sozinhos ou até mesmo uma cervejinha ali no bar da esquina. Não importa, temos vida, somos um casal e precisamos constantemente nos lembrar que existe um casamento. E ela entendeu.

5ª e última regra de ouro: limites devem existir! – precisamos delimitar o que eles podem ou não fazer. E somos nós quem devemos decidir sem a opinião deles, afinal, nós somos os adultos, nós sabemos o que é bom ou não para eles e principalmente: torná-los seres humanos sociáveis não implica em serem pequenos reis e rainhas mimados. Eles não nos deixarão de amar porque um dia ensinamos o que é limite. Eles não nos odiarão porque ouvem não. Há um pensamento francês constante ao longo do livro: para que a criança seja feliz, ela precisa se frustrar, caso contrário, ela será muito triste. É um pensamento lógico. Se ela aprender a lidar com frustrações, não cairá em depressão ou melancolia na idade adulta porque este ou aquele não lhe deu atenção, porque o chefe não gosta dela, porque perdeu o emprego ou a sogra não lhe agrada. A criança que lida com frustrações de forma natural, sabiamente terá uma vida adulta mais equilibrada.

Vale a pena conferir!!!

francesas

 

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Dom Casmurro – minha visão

DOM_CASMURRO_1295291941BDepois de vinte e dois anos, voltei a ler Dom Casmurro. Só que desta vez, li de verdade. E achei a história simplesmente demais! Quando você lê para uma prova do livro que vale dois pontos na sua nota de literatura no ensino médio, você não lê, salpica entre páginas, resumos e relatos dos outros colegas.

Mas, vamos ao que interessa: minha visão do livro.

Dom Casmurro na realidade se chama Bento Casmurro, Bentinho para os mais íntimos. Inicia sua história já velho e solitário em uma casa no Engenho Novo que manda reformar para ficar exatamente igual à casa onde cresceu, localizada na Rua de Mata-Cavalos. Sua mãe, quando gestante dele, fez uma promessa de que se o bebê vingasse, ela daria a Deus um padre para ser Seu seguidor. Quando Bentinho fez quinze anos, suplicou a sua mãe que não o enviasse visto que ele não se sentia apto para ser seminarista. Mas temerosa que Deus pudesse castigá-la, ela decide enviá-lo mesmo assim. Neste instante temos Capitu. Sua vizinha no qual cresceram juntos, e ao chegar na adolescência, percebem que estão apaixonados um pelo outro. Como o seminário é algo impossível de ser adiado, ambos juram que só vão se casar um com o outro, e que ele vai dar uma solução para que seu ordenado não se conclua.

Até aqui podemos ver que é uma história muito bonita de um romance entre duas pessoas que cresceram juntas e querem morrer juntas. O problema começa quando Bentinho dá traços característicos de uma pessoa possessiva, ciumenta e maníaca, mas que pode passar desapercebido pelo leitor que está mais interessado em saber se ele vai conseguir sair ou não do seminário de acordo com os planos de José Dias, um agregado que mora na residência de Dona Glória, a mãe viúva de Bentinho.

O primeiro sinal ocorre no capítulo ‘Uma reforma dramática’, onde ele ao se despedir de seu amigo Escobar, que toma um ônibus, vê Capitu apoiada na janela e olha um homem que vem com seu cavalo em sua direção. Os dois se olham como querendo dizer ‘oi’ e o cavaleiro, sem parar nem falar nada, continua seu trajeto. Bendito, ao presenciar tal ‘cumprimento’, volta para casa revoltado, imaginando que Capitu esteja se engraçando com tal cavaleiro, fazendo-o de tonto enquanto ele se encontra preso a um seminário e ela está ‘à solta pela vizinhança’. Bendito se tranca no quarto, chora, quer arrancar seus cabelos, imagina insinuações por parte de sua amada e chega a cogitar o término do namoro, se comparando com Otelo e Desdémona. Depois de todo esse rompante em seu quarto, no dia seguinte ele diz a Capitu tudo o que lhe vinha à cabeça, e ela se defende. Dizer que se for para ele continuar a ter ideias degradantes sobre ela, é melhor o rompimento mesmo. Os dois se acalmam, se ‘perdoam’ (embora Capitu não tenha feito nada de errado para ser perdoada) e retomam suas vidinhas.

Em um segundo momento, o acesso psicodramático de Bentinho ocorre quando ele percebe que durante os bailes  que frequentam, os homens no salão ‘observam’ os braços nus de sua já então esposa Capitu. Ele sem muito rodeios, ordena que ela passe a frequentar as festas com vestido de meia-manga ou mangas inteiras. Ciumento extremista até com olhares imaginativos.

Em um dado momento, Sancha, amiga de escola de Capitu e esposa de Escobar, entrelaça suas mãos nas mãos de Bentinho durante um passeio à beira-mar e faz com que Dom Casmurro passe a imaginar situações amorosas entre eles. E então, ele alucina: e se Capitu também estivesse ‘entrelaçando suas mãos e algo mais’ com Escobar? E se a façanha deles seja tamanha, que enquanto ele trabalha, os dois se divertem em seus lençóis? Surtado, começa a perceber como seu filho imita muito dos gestos do amigo e da pequena filha do amigo, dando a entender que esse excesso de gestos é por conta de um tempo muito grande entre eles. E quando esse tempo poderia acontecer? Somente pelas suas costas, em encontros escondidos, certo? A questão aqui é que o menino na realidade estava passando por uma fase que imitava a todos: o andar de um tio, a fala da vó, os gestos faciais de outro conhecido, e assim por diante. Mas o ciúme insano de Bentinho só o faz enxergar que o menino muito repete Escobar.

A gota d’água ocorre quando, dois meses após o falecimento trágico e acidental de seu amigo por afogamento, Capitu diz com a maior inocência do mundo que o filho Ezequiel tem os olhos de Escobar. Nesse mesmo instante, Bentinho observa o menino e dá razão à esposa. Mas então percebe que não somente os olhos, mas o jeito, os cabelos, o andar, o falar, o deitar-se, o brincar, o seu sorriso, tudo, tudo se parece com Escobar. Ele então é tomado pela certeza de que seu filho na realidade é filho do seu melhor amigo. A prova maior da traição deles dois está vivendo em seu teto e o chama de pai. Enojado com seu pensamento autodestrutivo, passa a destratar a criança, envia-a para um internato no qual o menino só retorna para casa aos finais de semana e evita ao máximo conversar ou estar no mesmo ambiente que sua mulher. Passado um tempo, ele não aguentando mais tanta inundação de ideias, explode com Capitu desvendando seus pensamentos e pedindo o divórcio. Revoltada e não aguentando mais o ciúmes doentio do marido, ela aceita e se muda com seu filho para Europa. – Até de defunto você tem ciúmes, são as palavras dela.

Alguns anos mais tarde, Capitu morre e é enterrada na Suíça. Seu filho então retorna para a casa do pai e ao dar de encontro com Bentinho, este não perde oportunidades de compará-lo mentalmente com o amigo, certo de que Ezequiel é sim fruto da deslealdade. O filho, sem perceber as reais intenções do pai, pede-lhe ajuda para ir à África, e este por sua vez mais do que depressa o envia para tal continente. Onze meses depois, ele recebe uma carta com a despesa do enterro de seu filho que morrera de febre tifóide. Em seu íntimo revela que pagaria o triplo se fosse necessário, para mantê-lo o mais longe possível. Feliz que os três já estão mortos e enterrados, ele passa seus dias sozinho e em seu pensamento sociopata.

No final do romance morrem o tio Cosme, a prima Justina, a mãe Dona Glória e José Dias, nessa ordem. Ele, portanto, encontra-se sozinho, amargurado e velho.

Afinal, Capitu traiu ou não o marido?

Não. Ele que sempre foi doente.

#teachercecilia

 

 

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Nosso Deus não é o Buda!

4aae8fc69c0c3476adc06ba51eabf13a--spiritual-meditation-mindfulness-meditation.jpgUm dos erros mais comuns que as pessoas do ocidente pensam sobre os budistas é que nós adoramos um buda. Só que não.

Buda significa O Iluminado, logo, é um estado de espírito e não uma pessoa ou entidade específica. Acreditamos que todos nós temos a capacidade de alcançar esse estado, portanto, todos somos um buda em potencial. 

O primeiro buda que temos em nossa história é Shakyamuni que viveu cerca de 500 anos antes de Cristo. No século XIII foi Nichiren Daishonin que alcançou seu estado como o Buda dos Últimos Dias da Lei – e originou o Budismo Nichiren. Há muitas outra pessoas que alcançaram esse estado mais iluminado e tiveram seu nome reconhecido dentro do budismo, embora alguns sejam mais místicos do que reais ou criados para um determinado propósito.

O estado de Buda é o mundo mais elevado dentre dez que o ser humano pode atingir durante sua vida. Isso quer dizer que em um mesmo dia ele é capaz sim de se encontrar em estado de ira e mais adiante em estado de buda, ou em determinada época. Tudo vai depender de sua consciência, pensamento, ação e carma. Porém é viver nesse estado todos os momentos em cada respiração de nossa vida o objetivo final. E como se não bastasse a nossa felicidade, queremos a felicidade para todos. 

Em dias que me sinto muito angustiada, ou com pouquíssima paciência, busco meditar e recitar o Nam-myoho-rengue-kyo aonde quer que eu esteja: seja no carro, na escola, na mesa da sala de aula, em casa, na cozinha ou até andando pela rua. O mantra do Sutra de Lótus acalma e faz com seu equilíbrio seja encontrado junto às energias positivas do Universo. Não deixo de recitar, posso estar feliz, ansiosa, angustiada ou triste, mesmo doente, sem disposição ou quando a preguiça bate à porta.

Mas, e Deus? Bem, Deus ao nosso ver não é um ser personificado com boca, nariz, olhos, sentado em um enorme trono de ouro apontando quem deve ser abençoado por ser bonzinho ou castigado por seus pecados. Deus, ou o elemento Supremo, é a energia do Universo que dá início e fim a todos os planetas, seres e cosmos, a quem buscamos canalizar a mesma frequência de energia positiva superior. Não pedimos nem culpamos a Deus por nada, pois temos consciência que toda e qualquer situação que o homem vive foi e é criada por ele mesmo. Se hoje existe fome, miséria, violência, falta de fé, é porque assim fazemos acontecer. Cabe a nós mudar essa situação, e como budistas contamos com a ajuda da poderosa energia do mantra.

Nam-myoho-renge-kyo!

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A harmonia em família – antes e depois

budista-tibetano-1Meu segundo relato é sobre como a harmonia familiar se estabilizou depois do budismo. Para que vocês tenham uma ideia generalizada, meu marido e eu não estávamos entrando em acordo com relação aos trabalhos freelancers dele; a minha filha estava tendo cada dia mais complicações de socialização e comportamento tanto em casa como na escola; minha intolerância com relação às diferentes culturas e costumes da família dele prejudicava mais e mais os laços fraternos. Conclusão: estava vivendo um caos organizado. Sabia o que acontecia e tentava controlar através de sorrisinhos e patadas sarcásticas minha convivência a tudo isso.

No terceiro dia que recitava o Nam-myoho-renge-kyo olhando para a parede, ao som do mantra pelo Youtube como forma de motivação, notei uma diferença existencial. As pessoas ao meu redor continuavam sendo quem elas eram, eu é que estava mudando! E para melhor.

Quando me dei conta o quanto meu marido ama o trabalho de DJ, a qualquer preço ou nenhum como acontece às vezes, percebi que não era tentando fazer com que ele buscasse mais renda e menos papo que iria mudar a situação em casa. O que iria mudar seria meu apoio ao que ele gosta e assim, quem sabe um dia, ele seja reconhecido realmente pela sua capacidade e incrível competência musical. Todos o elogiam, porém ninguém quer pagar o preço, né? Mas foi quando eventos inusitados e valores de acordo começaram a surgir…

Com relação à minha filha, uma luz chamada psicóloga me abriu os olhos: o que estava realmente dando errado entre mim e a Tibiko? Depois de uma semana com médicos especialistas, chegamos à conclusão que a princesa precisava de uma psicóloga mais especializada ao caso dela e a troca por uma escola mais tradicional viria como uma grande ferramenta positiva para sua transformação interativo e social. Aceitei, afinal, estava rezando para que melhorias surgissem e elas surgiram. Na mesma semana consegui uma vaga na clínica que almejava com a especialista mais do que capacitada para o caso, que até então só teria agenda em 2018. Milagre? Não, poder do Sutra de Lótus!

Já com a família do meu marido, foi algo como o fluxo do rio. As coisas simplesmente foram se encaixando e a harmonia foi se estabelecendo. Hoje posso dizer que a convivência se tornou algo normal, natural e agradável. Eu tinha uma grande resistência em deixar a Tibiko por muito tempo com eles, passear ou mesmo dormir a noite, por uma questão de excesso de preocupação e apego. E posso garantir que se não sumiu de vez, ao menos diminuiu bastante. Situações como buscar minha filha na escola, passar a tarde com eles ou passear em um shopping qualquer era motivo de muita briga, estresse e desunião. Águas passadas, Nam-myoho-renge-kyo!

 

    

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