Não quero mais ser membro da BSGI, e agora?

11063751_10153247360078150_2181076895449646057_nDiariamente recebo mensagens pelo Instagram, Twitter ou Facebook de praticantes dos ensinamentos de Nichiren através da BSGI – Soka Gakkai, porém, que não estão contentes com os ensinamentos ou percebem que só se fala de uma pessoa que não é nem Nichiren Shonin nem Shakyamuni Buda. E não estou exagerando. Ao menos uma pessoa por dia me procura dizendo que encontrou algum conforto ao ler meu post no blog. Todo dia.

Para acessar o post do qual citei, clique aqui.

A principal dúvida é como se desligar e se há um pecado muito grande nessa transição da BSGI para a Nichiren Shu. Vamos por partes então:

  1. Se você sentiu através das leituras, conversas, palestras ou qualquer outro meio de comunicação que você não quer mais fazer parte da BSGI, comunique o líder/dirigente da sua comunidade. Não comente com os participantes comuns, pois será alimento para fofocas. Esse comunicado pode ser uma mensagem de WhatsApp ou um e-mail. Falar pessoalmente pode gerar desconforto para você e a pessoa que está ouvindo. Eu explico: não são todos que tem a clareza do livre arbítrio e muito menos que a BSGI não é sagrada. Logo, eles podem querer persuadi-lo a não cometer esse ‘crime espiritual’, como alguns falam;
  2. Há a possibilidade d’eles tentarem persuadí-lo a não desistir da Soka Gakkai e perguntarão para onde você está indo, sempre com a resposta na ponta da língua de que qualquer outro lugar é heresia. Não responda. Apenas diga que não quer mais ser membro e que pede seu desligamento imediato. Em caso de persistência, não atenda o telefone, não retruque mensagens e não aceite visitas em grupo na sua residência; 
  3. Gohonzon SGIEntregue o Gohonzon, se assim  você sentir. Caso não queira devolvê-lo, diga que o protegerá conforme assinado no contrato. Não há qualquer pecado nem castigo com relação ao Gohonzon, independente se você ficar com ele ou não. NÃO EXISTE MAL ALGUM, MUITO MENOS PUNIÇÃO PELA SUA DECISÃO. Faça conforme seu coração mandar;
  4. Muitos seguidores da BSGI passarão a ignorá-lo, não se sinta mal por isso. Respeitá-los é um ato budista. Não se sinta ofendido nem aceite ofensas para si. Pode acontecer posts com indiretas, dizeres ou bloqueios. Siga sua vida. As águas passam por pedras, sem precisar movê-las;
  5. E o principal de tudo: não deixe de praticar Odaimoku em casa.

Embora muitos relatem essa dificuldade na hora do desligamento, comigo não foi assim. Foi natural, sem dificuldades e bem compreensivo, inclusive as amizades continuaram. Como eu disse: nem todos são esclarecidos o suficiente para entender que temos sim a liberdade de escolha. Não estamos deixando de ser seguidores do Sutra de Lótus, apenas migrando de um grupo leigo para uma escola Nichiren.

gasshô

 

Gassho.

Namu-Myoho-Renge-Kyo

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O Budismo na visão de uma criança

IMG_1800Ela tinha quatro anos quando ouviu falar de Buda pela primeira vez. Não entendia, mas vendo que sua mãe ia a reuniões semanais budistas, passou a questionar mais e mais. Um dia, ganhou um mini budinha roxo em posição meditativa e compreendeu melhor quem era Buda. 

Óbvio! Uma criança não entende por parábolas, contos ou orando somente. Precisa de algo mais lúdico. Passei então a mostrar vídeos búdicos (vida e morte de Shakyamuni Buda, perseguição de Nichiren, meditações com Monja Coen, etc.) para que ela pudesse entender aos poucos do que se tratava a fé da mãe. Aprendeu a recitar o Namu-Myoho-Renge-Kyo e a fazer as preces recitando o início dos trechos dos capítulos que estão na Liturgia. No entanto, ela só ficava na frente do Gohonzon quando queria, e eram pouquíssimas essas vezes. Cheguei a pensar que ela não seria budista quando crescesse.

No colégio católico reza o Pai Nosso e pela convivência com senhorinhas, vira e mexe diz ‘Jesus Maria José’, ‘sai capiroto’ e ‘aleluia irmãos’. Enfim, eu continuava minha fé e prática enquanto olhava cada vez mais com desânimo minha filha se afastando do Sutra de Lótus. 

IMG_1801Há duas semanas atrás, no entanto, vi que estava muito enganada. Fui buscá-la no horário de sempre, porém, uma menina cabisbaixa subiu no carro. Não estava alegre, nem ansiosa para contar sobre seu dia. Deitou no banco traseiro do carro e queria dormir. Achei muito estranho mas respeitei seu momento de tristeza. Quando chegou em casa, não quis almoçar e foi direto para o quarto. Meu coração ficou apertado. Seis aninhos e já com tendências depressivas? Não! Corri para o altar e recitei Odaimoku, calma, pacientemente e com a certeza que teria resposta. Mais tranquila, fui fazer as coisas de casa. Depois de um tempo, fui até o quarto e comecei a conversar com a minha pituca, que finalmente se abriu: estava sofrendo a rejeição das colegas, não permitiam que ela tomasse lanche junto, brincassem juntas nem mesmo fizessem lição de sala juntas, uma delas inclusive havia dito que odiava a família inteira da minha filha (que nunca viu, mas criança é maldosa às vezes sim). Perguntei o por quê de tudo isso, e ela não sabia a razão. Simplesmente estavam agindo dessa maneira. Quando questionei sobre o que a professora fez com relação a isso, disse que ainda não sabia de nada pois não tinha comentado. No dia seguinte, eu como mãe, conversei com a prô, mas ainda assim, assuntos de criança têm que ser resolvidos pelas próprias crianças, do contrário, não estaremos ensinando-as a lidar com a vida, e por isso pedi que ela apenas ficasse atenta sem intervir, a menos que minha filha dissesse o contrário.

IMG_1802Em casa, fiz mais Odaimoku. Novamente a minha pequena estava com o olhar triste ao voltar da escola. À tarde, enquanto eu lia meu livro no sofá da sala, eu a vi silenciosamente indo ao altar, ascendendo a vela e um incenso. Pegou a liturgia nas mãos e começou a recitar Nam-myoho-renge-kyo. Começou fraco, devagar, e foi criando forças, ficando mais ritmado e alto. Não sei exatamente o tempo que ela ficou ali, mas posso garantir que ela fez com o coração. Recitou exatamente como nosso fundador Nichiren Shonin morreu nos ensinando: com sentimento, pureza e meditativo. Eu estava boquiaberta. Quando acabou, recolheu tudo, apagou a vela e foi para o quarto.

Terceiro dia e ela me encontra na porta da escola saltitante: tudo havia melhorado! As amigas haviam voltado a brincar sem implicância, a professora tinha conversado com a classe sobre a importância da amizade e ela estava se sentindo confiante novamente. Eu não conseguia pensar em nada. Só sentia muita gratidão, afinal, foi exatamente como dizia Nichiren Daishonin: “jamais acontece das orações do devoto do Sutra de Lótus não serem respondidas.”  

Namu-Myoho-Renge-Kyo!!!   

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Books and Activities – download

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Click on the title of the book or the activity and download it for our English Class 2019:

6º Carybé and Tomi Ohtake

Grammar – Be

Activity 1

Writing Tips

AV2 – Paper Assignment Activity 1, Activity 2Activity 3 and Activity 4.

 

7º Victor Brecheré

Grammar – Present Simple vs Present Continuous

Activity 1

 

8º Anita Malfatti

Grammar – Present Perfect vs Simple Past

Activity 1

 

Freshman (9º)

Grammar Book – Intermediate Level

KET Vocabulary List

Mistakes Book

Exercise 1

 

Sophomore (1EM)

Grammar Book – Intermediate Level

Exercise 1

 

Useful websites:

Online dictionary – https://dictionary.cambridge.org/

BBC Learning English – http://www.bbc.co.uk/learningenglish/english/

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2º Workshop Budismo Nichiren Shu – 19 e 20/01/19 – Parte 2

img_0648Dia 20

Tivemos a Cerimônia de Abertura (exatamente  como no dia anterior) e Sensei Okuda iniciou as aulas nos perguntando qual palavra define ‘budismo’. Alguns participantes disseram tolerância, outros compaixão, mas Sensei nos explicou  que a palavra que realmente define o budismo é IGUALDADE.

Mas por quê?

Vamos refletir: desde tempos remotos o humano tende a segregar, impor, machucar, matar o que lhe é diferente. Temos como exemplo a imagem negativa contra os negros, os indígenas, em alguns momentos contra o branco, vivemos uma guerra ideológica sobre a orientação sexual do outro, sobre o que é ou não de fato família, não gostamos do pobre, não simpatizamos com o rico, mas, no Budismo somos todos iguais, somos carne, osso, famintos, sedentos, com necessidades e valores. Todos temos a natureza búdica, por isso somos iguais. A Budeidade, que é estado do ser humano que alcança a extinção definitiva do sofrimento, a suprema sabedoria, transformando-se em buda, nos fazendo ser filhos de Buda. Claro que existe diferença, mas, conforme o capítulo V do Sutra de Lótus, todos recebemos o mesmo como contado na parábola da árvore: Em um belo jardim, existem três tipos de árvores – a árvore grande, a árvore média e a árvore pequena. Quando chove, cada uma recebe a quantidade de água necessária para continuarem a crescer. A árvore grande recebe bastante água, a árvore média recebe água ponderada e a árvore pequena recebe pouca água. No entanto, todas ainda sim são árvores e todas recebem a mesma água.
Compaixão é a prática dos bodhisattvas, não pode ser utilizada dentro de política, por exemplo. Compaixão do budista é pregar o Dharma, não se compadecer de situações financeiras ou calamitosas. O nosso objetivo é guiar as pessoas para caminho do Buda. Temos várias entradas, mas a saída é única. Isso não quer dizer que devemos ignorar uma necessidade imediata. Se alguém está com fome, dar-lhe de comer é um ato de caridade, mas, ensinar-lhe o Dharma é a verdadeira compaixão. Podemos, e devemos, pregar o Dharma para as pessoas de coração pobre.

Não temos que ficar postando nossas ideias, temos que praticá-la. Não adianta criticar ou apoiar governo, temos que fazer a nossa parte disseminando o Dharma. Somos Mahasattvas (que significa ‘Grande Ser’), não carecemos das ações do governo, mas  temos o importante papel de guiar as pessoas que estão sofrendo, que se sentem agoniados, para o caminho búdico, pois todos têm esse direito. E não devemos ter medo de praticar sozinhos.

P: E a tolerância como forma de respeitar o diferente? Na nossa atual realidade, ser budista no Brasil não seria ser tolerante?

R: Não é errado, porém budeidade é mais importante. A tolerância tem que ser nossa atitude, mas a nossa função é disseminar o Dharma.

img_0651Hoje somos uma Sangha que deu início há um ano atrás, e Shami Guilherme teve uma conversa aberta e muito esclarecedora sobre sua formação e prática. Ao juntar-se com o outro, já se forma uma Sangha.

P: O que precisa para que uma reunião da Sangha aconteça?
R: O encontro de pessoas interessadas em participar. Não desanime caso apenas duas pessoas compareçam. Quantidade não é importante, mas o engajamento.

P: Onde devemos nos reunir?

R: Onde for mais conveniente: na casa de algum praticante, em uma sala cedida, em um parque.

P: O que devemos levar?

R: Pode-se levar o Mandala Gohonzon portátil, uma estátua do Buda, do Nichiren Shonin, ou um sino, ou simplesmente nada. A reunião das pessoas para que as orações sejam praticadas em grupo já é o suficiente.

P: Quais procedimentos seguir?

R: Pode-se usar o folheto dado no Workshop seguindo os passos da ‘apresentação’, em seguida a ´oração’, a leitura do trecho do Sutra (podendo ser outro a escolher), ficando a reunião aberta para discussões que envolvam um livro específico, algum texto retirado do site ou simplesmente conversarem sobre seus atos, feitos e dúvidas, tendo o Dharma como tema principal, claro.

Havendo uma programação com antecedência, o Shami abriu a possibildade de sua participação e nos alertou: nosso intuito não é converter, mas levar a mensagem da compaixão, tolerância e igualdade às pessoas que vem a nós.

Como nossa última aula, Sensei Okuda nos falou sobre a ‘Disciplina e Conduta na Prática Budista Diária’. Buda Shakyamuni disse no capítulo XVI “se você quiser se encontrar comigo, sempre me manifestarei’. Isso  não quer dizer sua personificação, mas seus ensinamentos. Se você tem seu coração no Buda, você consegue ver Buda no Dharma, que também é corpo de Buda.
Cada momento é prática. Cada segundo direcionado ao budado, é prática. Pensar é formar karma, que é prática. Estudar, memorizar, copiar Sutra é prática. Gongyo é uma das práticas, mas não existe somente esse ato.
Não existe uma forma exclusiva nem perfeita, mas existe a prática correta que é a diária.

Durante a prática, para que todo mundo possa recitar junto, é melhor ter um padrão de Gongyo, por isso a Liturgia, porém, individualmente essa prática pode ter vertentes na leitura do Sutra, podendo ser no idioma que preferir e o trecho que seu coração mandar.

img_0657Para a cerimônia, é bom que se tenha ao menos o sino (simples), deixando-o do lado direito no altar. Tocar três vezes pausadamente (forte, fraco, forte). Fazer invocação (conforme manual do workshop) em velocidade normal (nem lento nem rápido). Com relação ao uso do Juzu: três pompons na primeira junta do dedo do meio da mão esquerda, cruzado, e os outros dois pompons na mão direita. Posição de Gasshô sempre (para a posição da mão, medir a ponta do dedo no queixo e inclinar a mão para frente apoiada ao peito a 45 graus).
Para segurar o papel para fazer invocação, o juzu pode ficar na mão esquerda (vide imagem).
img_0659Faça a oração sentado em uma cadeira, sentado sobre os joelhos, em posição de lótus ou meia-lótus, desde que de forma confortável, sem sofrimento. E o mais importante de tudo: realize a oração quando sentir prazer. Não há momento do dia ideal (muito cedo, por exemplo), mas fazer em momentos de alegria ou de tristeza.

E claro, finalizamos com a Cerimônia de Abertura dos Olhos (consagração do objeto, tornando-o sagrado – existe também a Cerimônia de Fechamento dos Olhos, que é a desconsagração do objeto para logo em seguida ser incinerado), e com a entrega dos Mandala Gohonzons, Ippen Shudai e os Wagesas (faixa búdica roxa usada pelos leigos) dos formados pelo 2º grupo de estudos da Nichiren Shu Brasil.

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Formação da 2º Turma do Grupo de Estudos da Nichiren Shu Brasil

Tivemos a presença do Rev. Jean Tetsuji do Templo Nambei Honganji Brasil Betsuin, que nos prestigiou com a sua participação neste dia tão marcante.

Lindo, inspirador e de uma energia incrível. Que venha o próximo Workshop em agosto!!!

Gasshô.

 

 

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2º Workshop Budismo Nichiren Shu – 19 e 20/01/19 – Parte 1

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Iniciamos o workshop com a Cerimônia de Abertura, seguindo 10 etapas:

  • Dojoge
  • Invocação
  • Versos de Abertura do Sutra
  • Recitação do Sutra
  • Sokun
  • Shodai
  • Hotoge
  • Eko
  • Shisei e
  • Buso

Ficou curioso ou não entendeu nada? Calma!!! Participando da reunião com a Sangha você vai entender melhor! 😉

Logo em seguida, Okuda Sensei nos ensinou a pronúncia e a velocidade para a recitação do Sutra capítulos Hoben e Juryo (páginas 22 e 25 da Liturgia). Diferente do que possivelmente aprendemos, a pronúncia do Sutra deve ser lenta e silábica, meditando durante a sua recitação.

P: Demora mais?

R: Sim, uns seis a oito minutos no total.

P: Precisa ser assim?

R: Sim, pois recitar também é meditar, e meditar é refletir, internalizar, é sentir o que se está fazendo.

P: Mas e na pressa, como faço?

R: Não faz. Recite somente o Odaimoku de forma lenta e engajada, com sentimento puro que já estará trazendo um benefício para si.

*pausa para o cafezinho*

f9fdd142-9dd2-44e0-8861-f805b4bf4690Na aula sobre ‘Consciência de Gratidão: Retribuindo os Débitos de Gratidão’, o Shami Guilherme nos explica sobre quatro tipos de gratidão. A primeira é a GRATIDÃO AOS SERES VIVENTES, que devemos ser gratos a tudo o que nos rodeia, lembrando que não estamos sozinhos no mundo e que não podemos nos virar sozinhos também. Desde o primeiro momento, dependemos de outras pessoas, de outros animais, de outros seres vivos para que a nossa rotina aconteça. Sensei citou como exemplo o almoço: para que aquela comida esteja no prato, alguém vendeu o alimento, alguém colheu o alimento, alguém plantou o alimento, alguém cuidou regando, e aquele prato foi feito por alguém na olaria, e o talher por alguém na Tramontina (brincadeira, ele não citou nomes), mas deu para entender né? TUDO ao nosso redor teve participação de alguém que não a gente. E devemos ser gratos por essas pessoas, por essa oportunidade de poder usufruir daquilo. Não podemos ter pensamento individualista.

O segundo tipo de gratidão é a GRATIDÃO AOS PAIS, afinal, sem a participação deles não existiríamos, e essa gratidão se estende aos que nos cuidaram, não necessariamente os nossos pais biológicos. Independente do nosso núcleo familiar, devemos ser gratos pelo o que nos foi ensinado, pelos cuidados que tiveram, pelo sentimento que nutriram conosco. Nichiren Shonin dizia ‘é como uma semente em relação à fruta, ou o corpo com a sua sombra’. Buda Shakyamuni é considerado nosso Pai Espiritual, pois nos ajuda a trilhar o caminho para atingir o despertar total. Ler o Sutra e recitar o Odaimoku em oferecimento aos nossos pais e antepassados é a maior prática de gratidão a eles.

O terceiro tipo de gratidão poderia ter causado uma polêmica tamanha, mas tudo ocorreu bem, que é a GRATIDÃO À NAÇÃO. Obviamente, Okuda Sensei citou sobre o problema político-partidário que o Brasil vem sofrendo e nos mostrou o verdadeiro caminho búdico: Budismo Sem Partido. Isso mesmo! Budista não ‘escolhe’ lados, budismo escolhe propagar o Dharma. Como budistas, devemos ser gratos à nossa nação, à nossa pátria, à terra que nos acolhe, que nos é a residência e temos que ter atitudes corretas e positivas como cidadãos, buscando ensinar o povo, buscando guiar a correta ação através do Dharma (sabe aquele escrito há mais de 2500 anos? Esse!). Sensei também nos disse que por mais que o país não esteja bem, devemos aprender a olhar o lado positivo, o lado bonito dele, porque tem. O planeta onde vivemos é a Terra Pura, a Terra dos Budas. Não devemos enxergar somente o mal, o negativo, o errado e ficar apontando falhas e defeitos. Devemos ver o bom, o positivo, sua beleza, sua divindade e ao ver algo errado, escolher fazer o correto. Ter ação, não somente ficar postando e querendo fazer as pessoas terem a mesma opinião. A nossa missão é fazer acontecer!

P: Mas como ignorar o que o outro faz de errado?

R: Não ignore. Mostre fazendo o certo, seja o exemplo.

P: Mas como cidadão, eu não devo praticar meu ato votando na pessoa que acredito ser correta para determinado cargo?

R: Sim. Mas esse voto é seu, e você não deve ‘encher o saco’ do outro, seja por mensagens ou por qualquer outro meio. Como cidadão, vote. Como budista, pratique e propague o Dharma.

O quarto, e não menos importante tipo de gratidão, é a GRATIDÃO AOS TRÊS TESOUROS: o Buda, o Dharma e a Sangha.

Gratidão ao Buda é gratidão ao Buda Eterno Shakyamuni, considerada suprema por Nichiren Daishonin, pois é nosso Pai Espiritual.

Gratidão ao Dharma significa ter gratidão ao Sutra do Lótus, lendo, aprendendo e transmitindo seus valores.

Gratidão à Sangha é ter gratidão ao nosso mestre e fundador Nichiren Shonin, transmitindo o Odaimoku para o maior número de pessoas.

Mas cuidado! Transmitir para o maior número de pessoas não é sair por aí de porta em porta convertendo, ou tentando converter, todo mundo. É transmitir o Dharma, levar o conhecimento às pessoas, nem que seja somente uma palavra. A conversão se dará progressivamente e se a pessoa desejar.

Após um almoço muito produtivo, retomamos as palestras com a aula sobre ‘Significado e Importância do Gohonzon’, dada pelo Sensei Okuda.

Há três formas de Gohonzon:

– A estátua do Buda;

– A estátua do Buda com os Quatro Bodhisattivas;

– O Mandala Gohonzon.

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Qual o mais correto? Aquele que você se sentir melhor. Claro que por uma questão de prática da nossa escola, os seguidores da Nichiren Shu têm o Mandala Gohonzon ou o Ippen Shudai Gohonzon (provisório) em seu altar, juntamente (ou não) com as estátuas do Buda Shakyamuni e de nosso fundador Nichiren Shonin.

Os traços do Mandala significam luz, e que ele reflete a nossa fé, a nossa energia como um espelho. Quando recitamos Odaimoku com bastante fé, com energia, estamos entrando no mundo real, abraçando o Sutra do Lótus e podendo dessa forma, atingir a iluminação com o nosso corpo. Mas devemos lembrar que não é o tempo de recitação nem a velocidade com que se recita que faz a diferença, e sim, o sentimento com que o fazemos. Sensei nos deu um exemplo de um monge que recita apenas uma única vez, mas com tanta energia que se sente no ambiente sua força e fé (de arrepiar, não é?). Lembrando que atitudes e pensamentos positivos geram karma positivos, e atitudes e pensamentos negativos, consequentemente karmas negativos. O Gohonzon é o nosso espelho, e ele reflete a nossa realidade.

P: Estou com um Gohonzon de outra escola, e agora? Se eu jogar fora, terei consequências negativas?

R: O Mandala não castiga, o Mandala não pune, ele apenas reflete seu estado de espírito e fé. Se você não quiser devolvê-lo para a escola que o deu a você, então o melhor é entrega-lo para o Shami para que possa ser feito o fechamento dos olhos desse objeto.

P: Quando vou viajar, o que devo levar? O Mandala, uma estátua do Buda ou o Juzu?

R: Existe um Mandala Gohonzon portátil para esse fim, mas quem ainda não o possui, pode levar qualquer objeto que dê significado à sua prática (geralmente aquelas medalhas ou estátuas menores que passaram pela Abertura dos Olhos), ou simplesmente não levar nada, recitando o Odaimoku olhando fixamente para algum lugar, sentado numa cadeira ou em posição de lótus, meia-lótus. A prática é mais importante do que o objeto.

P: A leitura do Sutra deve ser sempre a mesma durante a minha prática?

R: Não. Você pode escolher outros trechos de outros capítulos. Quando a prática ocorre em grupo, existe a padronização da oração pelos capítulos Hoben e Juryo; mas individualmente pode ser lido qualquer outro trecho no idioma que preferir.

P: Qual a diferença entre Mantra e Odaimoku?

R: No mantra, é o som que tem a força e ele é fechado para aquele grupo ou propósito específico (mantra da cura, mantra da felicidade, mantra da tranquilidade, mantra da prosperidade, etc). Já o Odaimoku reflete os ensinamentos do Sutra, e é aberto, não é específico a um tema.

Em seguida, tivemos uma aula maravilhosa sobre Saúde com o nosso queridíssimo Antônio Goken Rodrigues, que nos trouxe a importância do sono para que o nosso cérebro trabalhe de maneira adequada, da alimentação menos processada possível no nosso dia-a-dia e a importância do exercício físico à nossa vida, principalmente exercícios que demandem força, como musculação. Quer saber mais? Segue o perfil do bonito: https://www.facebook.com/AntonioRodriguesTreinador/

 

img_0635Shami Guilherme nos deu uma aula sobre o ‘Monte Minobu: A Morada do Coração de Nichiren Shonin’, falando sobre a origem da Nichiren Shu (no monte Minobu no Templo Kuon-Ji). No Brasil, o budismo tem somente 115 anos, o que explica os poucos templos existentes, e que no caso da nossa escola, ainda teremos um. No entanto, no Japão, a Nichiren Shu existe desde o falecimento do nosso fundador no século XIII, logo, são mais de 15.000 templos.

Finalizamos nosso primeiro dia com a Meditação Shodaigyo, que é simplesmente incrível, purificador e que nos permite elevar nosso estado espiritual a um nível inimaginável.

Gasshô.

 

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Relatos de um budista

nichirenDezessete anos. Entre uma noite e outra, usava a droga como consolo de sua solidão. Male-male trabalhava, fazendo bicos para pessoas que o conheciam e sabiam que era um bom rapaz. Drogado, porém ainda bom. Por muitas noites chorou seu desespero, por muitas noites teve raiva de sua necessidade. Nada o continha. Nem o amor pela sua mãe, o amor pelo seus irmãos, nem mesmo o amor por si. O único caminho que conhecia era aquele que o levava a mais uma dose de cocaína. Não demorou muito, e seu ralo dinheiro passou a ser escasso. Já não havia mais dinheiro para o cigarro, tinha que escolher entre cheirar ou fumar. Até que um ‘colega’ lhe mostrou uma droga mais potente e mais barata. Começava assim sua trilha morro abaixo pelo crack.

Três anos se passaram e agora pedia dinheiro no farol, em regiões onde seus pais ou vizinhos não frequentavam, mas eles sabiam que estava lá: sujo, desnutrido e viciado.

Uma noite, depois de uma briga com outro sem-teto que levou suas cobertas, tentava dormir com muito frio sob uma tempestade que o fez gritar desesperadamente por um Deus que o havia deixado lá. Gritou, gritou, gritou até cansar, pedindo respostas, pedindo ajuda, adormecendo em sua agonia no chão molhado debaixo da passarela local. 

No dia seguinte, com fome, frio e precisando de sua pedra, pedia dinheiro aos transeuntes que iam em direção ao ponto de ônibus. Em meio deles, avistou uma menina que repetia uma frase estranha, baixo mas ouvível, cerrando de vez em quando seus olhos. Ele chegou perto. A garota se assustou mas não parou de repetir a frase. Por algum motivo, que até hoje ele não sabe explicar, perguntou à jovem moça o que ela dizia. E ela respondeu: NAM MYOHO RENGE KYO. Intrigado, fez cara de dúvidas e ela novamente repetiu ‘Nam Myoho Renge Kyo’. Ele perguntou o que significava e ela respondeu que era a solução de seus problemas e lhe propôs que tentasse, e que dentro de uma semana, o reencontraria ali mesmo, no mesmo horário e se a vida dele não tivesse melhorado um único tiquinho, ela lhe daria todo o dinheiro que ele quisesse pelo tempo que fosse necessário. Era uma oferta irrecusável.

Curioso mas não convencido, passou a recitar sem fé durante aquele dia até anoitecer, e percebeu que sua fome ainda existia, seu vício ainda existia, seu frio ainda existia, mas de alguma maneira ele estava tendo a opção de continuar daquela forma ou não. Passando perto de um orelhão, ligou à cobrar para seus pais e perguntou à sua mãe se ele podia voltar pra casa. Em meio às lágrimas, ela disse que sim. Ele voltou, tomou banho, comeu, e por uma noite, decidiu não usar droga. Assim, sucessivamente, sem saber exatamente o que dizia, repetia ao longo do dia NAM MYOHO RENGE KYO. Quando sentia vontade de ir para a rua, recitava. Quando sentia vontade de usar droga, recitava. Quando se sentia só, recitava. Passado uma semana, conforme combinado, ele voltou ao mesmo lugar para rever Clara, e como ela havia prometido, o levou a um encontro onde recitavam em grupo e faziam uma estranha oração em japonês. 

Hoje, casado, com dois filhos e um neto, ele conta sua história com muito orgulho. Nunca mais teve fome, nunca mais teve frio, e nunca mais teve contato com droga alguma.

NAMU MYOHO RENGE KYO!!!

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Filme: mãe! (mother!)

Cartazes_MãeSimplesmente o melhor filme que eu já assisti em quesito maestria. Depois do filme ‘As Horas’ (que é meu favorito por se tratar de um trama envolvendo Virginia Woolf e sua obra Mrs. Dollaway), posso garantir que ‘mãe!’ é excepcionalmente de arrasar.

O filme dividiu muito os críticos durante sua estreia no 74º Festival Internacional de Cinema de Veneza no dia 15 de setembro de 2017, talvez por sua forte poesia metafórica, fugindo totalmente das cinematografias hollywoodianas simplistas e padronizadas.

488fffda-eb07-43da-8bc4-94a78f4a5f2dEla (Jennifer Lawrence) representa a natureza: cuidadosa, delicada, preocupada em nutrir, alimentar, gerar. A casa representa o nosso planeta,  e a maneira como ela cuida de cada cômodo, cada detalhe demonstra a conexão Terra-Natureza. A ligação fica mais clara quando percebemos que ela pode sentir o coração da casa.

Já ele (Javier Bardem) faz o papel do Criador. Mora em uma casa com sua companheira, mas precisa de mais. Precisa de quem lhe dê atenção, lhe dê festas e ofertas, precisa que façam de sua casa um antro de desordem, misticismo e fanatismo. Adão é o primeiro a aparecer, depois sua promíscua esposa Eva e por fim seus filhos, no qual Caim mata Abel por puro ciúmes. O sangue de Abel fica na casa e resta à nossa bela dona-de-casa limpar. Mas o sangue não sai totalmente. O planeta então fica ‘manchado’ pelo ódio que o ser humano é capaz de ter. Outros começam a surgir e então vem o caos. 

motherposter_0Em meio a toda essa tempestade de humanos, a Natureza sofre pela destruição de seu lar, mas mantêm-se fiel ao seu marido. Ela dá a luz mas se nega entregar o bebê para que as pessoas o vejam. Aqui temos a alusão a Cristo, entregue pelo Senhor aos humanos que acabaram matando-o. 

De cenas fortíssimas a cenas leves, de falas amorosas a brigas raivosas, este filme retrata pela visão de alguns o nosso mundo. Desde sua criação até sua destruição. E pasme: o ciclo não para nunca! Pois Deus nunca está satisfeito…

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